Hoje devo permanecer em vigília para poder acompanhar o nascer do sol com meus amigos. Eu sinto-me tão estranhamente feliz quando estou com eles. Sinto que as pessoas normalmente não se sentem tão felizes, tão gratas, tão contentes, tão realizadas ao estarem com seus amigos como eu me sinto. Isso me deixa ainda mais feliz, por eu saber que estou prestigiando da maneira que eu acredito que seja a correta a existência e presença dos meus amigos na minha vida.
É difícil, ao menos para mim, acreditar que eu realmente tenho uma amizade. E, sinceramente, culpo os filmes por isso. E culpo às vezes o fato que eu não sou uma jovem adoidada. Não fumar, não beber, não usar drogas ilícitas e lícitas em comunhão com a juventude fez-me ser mais isolada que as outras pessoas. Isso porque eu também não sou religiosa, não sou nerdoca/geek ou algo do gênero, então, eu fico a parte de tudo. Não tenho um grupo que me encaixo. Talvez o de otaku, mas eu sinto que isso foi um tempo tão, tão, tão remoto da minha vida. Não me vejo mais sendo essa mesma pessoa. Aliás, estou absurdamente longe da criança, da menina, que eu era aos 14 anos que assistia Naruto. E eu tenho um pouco de asco de modas virais. Tornou-se viral gostar de animes, fortemente por causa da pandemia. E eu tenho pavor de outras pessoas gostando das mesmas coisas que eu... É, faz sentido eu não ter um grupo (risos).
Eu não fico com raiva, mas eu estou pensando agora no dilema do meu amigo sobre o gás: se teu botijão de gás acabar e tu não tiveres como comprar outro ou algo do gênero, para quem tu ligarias para quebrar um galho para tu? Eu acho que depende. Eu sou cara de pau, mas, ao mesmo tempo, eu sou orgulhosa. Depende bastante. A depender da minha vontade no dia, eu poderia pedir até mesmo para um professor. Ou então eu poderia ficar definhando nesse dilema e não me atrever nem a pedir para minha irmã. É estranho. Mas acho que isso diz mais sobre mim do que sobre os outros. Acho que eu talvez tenha bastantes pessoas para pedir um gás. Literalmente um gás.
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