Aqui, tentarei ser sincera. Sempre que alguém me pergunta sobre como tudo começou, costumo contar de um modo bonitinho e aceitável como acabei parando onde parei. Eu não tenho a mínima preocupação moral de como isso será interpretado por ti e como tu vais lidar com o que eu te contarei, caro (ou nem tão caro assim) leitor.
Este é o meu refúgio e tu estás aqui porque queres (e eu novamente digo: sinto muito por teres chegado até aqui).
Bem, vamos para o começo do começo. Por onde eu começo? De mim masturbando-me aos 4 anos na quina da cama ou comigo tendo pensamentos eróticos aos 6 anos? Ou então sobre eu consumindo pornografia aos 8 anos? Ah, detalhe, não sei se eu já disse antes, mas sou uma mulher - antes eu pensava que eu deveria omitir isso, mas acho que é importantíssimo entender que eu sou uma mulher para compreender como isso impactou a minha vida (positivamente em alguns momentos, negativamente em outros. Eu amo ser mulher e não desejaria nunca ser nada além do que sou, mas exaure-me algumas sentenças que recebi por ter nascido mulher).
Bem, vou rascunhar rápido sobre meu começo-começo. Posso depois fazer uma publicação só sobre minhas péssimas introduções precoces ao mundo virtual e todo o resto. Basicamente, aos 4, 5 anos eu já sabia que se eu me atritasse em algum objeto, eu receberia algum prazer. Eu não sabia explicar. Eu juro que não soube explicar o que acontecia até os 18 anos (mesmo eu obviamente sabendo o que era a masturbação há eras. Mas mesmo para mim aos 18 anos, eu não via o que eu fazia como masturbação, pois como eu não usava as "mãos" propriamente, eu não associava meu ato com o mesmo que as outras meninas faziam e eu me vangloriava de *nunca* ter me masturbado, como se isso fosse um sinal de pureza - patético, eu sei). É normal. Sabe-se hoje em dia que isso é um mecanismo apenas intuitivo da criança, de que se repetir determinado ato que ela descobriu acidentalmente (aqui não estamos falando de casos de abusos nem nada do gênero, pois não é o meu caso), a criança vai receber prazer e por um mecanismo de recompensa, ela repetirá esse mesmo ato. Nada além disso.
Os pais começam a ficar loucos quando sabem, reprimem, xingam, tentam castrá-los (ah, Freud...). Comigo não foi tão diferente. Eu lembro-me de ser uma ou outra vez reprimida. Nada tão visceral. Mas eu sempre tive o pavor de ser repreendida. Uma vez era o suficiente. Aos 6/7 anos eu já sabia que era algo que eu precisava fazer escondido - não sabia o porquê... Era difícil, pois eu, minha mãe e minha irmã dormíamos no mesmo quarto. Aliás, por anos dormi na mesma cama que minha mãe. Mas felizmente minha libido nunca foi absurdamente alta, digo, meu máximo foi masturbar-me, não sei, umas três vezes por semana quando eu tinha uns 13 anos e estava enlouquecida pelo meu primeiro amor, então, dava para controlar. Não era algo que eu necessitava fazer todos os dias, aliás, nem toda semana e por vezes nem todo mês.
Então chegamos na pornografia. Algo que eu nunca falei para nenhum dos psicólogos que fui (ah, 90% dos psicólogos que eu fui, apenas fui a uma primeira sessão, então não se assustem se parecem muito. Eu costumo sumir também... Faço 2, 3 sessões e sumo. Sou péssima em assiduidade). Aos 8/9 anos, provavelmente por causa do meu irmão que deve ter deixado alguma aba aberta, descobri sites pornôs e os consumi por algum tempo. Eu ficava excitada e lembro-me de que me esfregava contra meu pé (que eu estava sentada por cima) e sentia prazer nisso. Lembro-me muito bem dos absurdos que eu via. Coisas absurdas. E eu assisti sistematicamente. Não me lembro até que idade isso foi, se chegou a durar até os 11 anos. Acho que não. Sinceramente, não me lembro. Mesmo que tenha sido por pouco tempo (crianças mudam de vícios rapidamente, não me surpreenderia se tivesse sido algo que durou poucos meses), foi marcante e acredito que fortemente contribuiu para hoje em dia eu me considerar uma "mulher com disfunção erétil" (ahahahahaha). Sim. Eu não consigo ficar excitada. Não sinto nada quando tocam minha vulva. Não sinto nada em meu clitóris.
Eu gosto e dou consentimento para intercursos sexuais acontecerem, porém, eu não sinto como as outras pessoas. Sabendo disso... Depois de muitas e muitas e muitas etapas de aceitação, que contarei mais detalhamente no próximo post, eu entrei no BDSM para poder sentir algo. E eu senti. Muito. Eu senti o mundo. E tudo começou a fazer sentido. Ou talvez perder sentido.
Espero que estejam acompanhando até aqui com o tédio que imagino que estão. Prometo deixar os próximos relatos mais energéticos. Fiquei um pouco triste hoje por ter sido idiota com alguém absurdamente importante e que não se esquecerá do meu erro com facilidade. O pior foi perceber que estou errando e errando com várias pessoas. Enfim... Vou continuar mais para frente. Por enquanto contentem-se com essa primeira introdução à minha história.
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