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Eu sinto muito por estarem aqui

 Eu sei que eu deveria começar a primeira postagem desse blog com alguma boas-vindas ou algo do gênero, mas eu sei que se tu estás aqui, é pois também encontra-te em igual (maior ou menor) estado de desespero. Sei que não é reconfortante saber que tão rapidamente consigo identificar isso e por mais que tu possas ser um daqueles que digam que estás a ler este blog por curiosidade, sinceramente, nem tu acreditas nisso. 

Bem, agora de fato vou apresentar-me. Tenho pavor de exposição social, eu não nasci para ser uma pessoa pública ciberneticamente. Eu não tenho a mínima aptidão para ter qualquer que seja a rede social: Instagram, Facebook, Twitter, que seja, eu não conseguiria, pois, para tanto, eu deveria ter uma personalidade autêntica e eu simplesmente ajo sempre à espelho de outro. Eu amo visualizar as páginas de perfil de outras pessoas, como elas se expressam, como elas publicam, como elas se expõem, por vezes humilham-se, mas, de fato, vivem este mundo paralelo que cada vez mais está tornando-se o mundo para onde estão migrando. Todo esse lenga-lenga para dizer que eu criei este blog (sim, eu sei que criar um blog para começar a escrever para anônimos está talvez uns 10 ou 12 anos atrasado na linha cronológica da Internet) para poder ter a onde despejar tudo que penso. 

Não te engano, não faço este blog para se apreciado, faço-o para ser no mínimo desconfortável. Eu nunca tive a escrita como um expurgo, mas estou tentando modificar essa característica, pois vocalizar tudo que eu penso e sinto é uma tarefa muito mais árdua do que escrever para ninguém. Eu sou uma pessoa fechada, mas que aparenta ser extremamente aberta para quem vê de fora. Eu sou extrovertida, bem sucedida (ok, ninguém é bem sucedido aos 21 anos. Falando desse jeito, lembrei-me de Rimbaud que dizia que ninguém era sério aos 17... Não estou muito longe disso. Porém, digo no sentido de ter conquistado que eu poderia dentro das minhas possibilidades), bem humorada (com as pessoas de fora) e carismática. Isso faz soar com que eu seja alguém que esteja bem aberto sobre tudo o que está acontecendo comigo. Falsa impressão. Mas não, não estou nem de longe naquele clichê de que "ai, quem poderia imaginar que aquela pessoa toda sorridente é depressiva? Quem vê cara não vê coração, não é mesmo?". Não, não sou isso. Ao menos quando me olho, eu consigo ver o quanto eu estou visivelmente destruída e fico pensando em como as pessoas não conseguem enxergar. Eu ao menos não tento atenuar. Pelo menos não propositalmente. Eu não penso que eu deva transparecer estar menos destruída para as pessoas para não as deixá-las compadecidas ou preocupadas nem nada do gênero. Sinceramente, eu não desprenderia tantos esforços para transparecer algo que eu não estou. Acho que o que menos tenho agora é forças para tanta performace. Não que eu não performe constantemente. Ainda não sei bem quem eu sou e estou agindo à guisa dos poetas: "finja até ser". 

Eu sei que a pergunta mais recorrente que devo receber deve ser: por que criar um blog se tu poderias muito bem criar um Twitter da vida e desabafar lá? Ou então um instação ou qualquer outro site mais popular. Eu te responderei: eu gosto que me leiam integralmente, como um mergulho, em um suspiro só. Todas essas redes sociais costumam ser mais limitadas, mais fatigadas, a priori, são mídias de consumo rápido. Quero que as pessoas que me leem, que me sintam, aprecie caoticamente o que lhes sirvo, não quero ser facilmente degustada. Quero usurpar integralmente a atenção de quem o está aqui. 

Meu último aviso é: eu nunca prometi coerente, então não esperem que eu seja uníssona. Sou vozes destoantes. 


 

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